quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sobre as chuvas e a Criação



por Erasmus Morus

A Campanha da Fraternidade de 2011 será, talvez, a que mais nos falará nos últimos anos. Fraternidade e a Vida no Planeta fala da maneira com que nós lidamos com a nossa casa comum, nosso planeta.

Há controvérsias, entre os cientistas, sobre o efeito de nosso processo de industrialização sobre o clima de nossa casa. Há quem sustente que o processo de aquecimento global é natural. Há, todavia, os cientistas que sustentam que o dito processo desencadeia mudanças drásticas no clima. De mãos dadas com o processo de industrialização há a ideologia capitalista-consumista que nutre as industrias e se nutre do sonho de vida feliz do humano.

O que será que isto tem haver com as chuvas deste início de ano?

TODOS SOMOS RESPONSÁVEIS PELAS MORTES OCORRIDAS E PELOS DESABRIGADOS. Isto não é frase de efeito. Cada um de nós, com nossas atitudes irresponsáveis na relação com o planeta, com o consumo exagerado e desnecessário, contribui para a morte do e no planeta.

É uma dura realidade que coloca em xeque nossa maneira de existir, de nos relacionar com o planeta. Nunca nos perguntamos sobre a quantidade de recursos do planeta que cada um de nós consome. Nunca paramos para pensar que as atitudes que temos estão relacionadas com um todo dentro do qual estamos inseridos, o planeta. Até que esta realidade nos atinja de maneira direta, nós as ignoramos e levamos a vida como se fôssemos os únicos habitantes do planeta.

A sabedoria judaico-cristã compreende que a terra foi criada por Deus e dada à humanidade. Anterior ao mandamento de dominar sobre a terra, algo que nos poderia levar à concepção de ser senhores da terra, absolutos, há o mandamento de frutificar, multiplicar e encher a terra (Gn 2,28). Antes da dominação há que se fazer com que a terra produza frutos, que a vida se multiplique em um modelo de terra-paraíso, onde há abundância de vida para tudo e para todos. Uma interpretação errônea da sociedade ocidental, marcadamente judaico-cristã coloca o humano como um dominador voraz, insaciável, que não cuida da vida que precisa ser frutificada, multiplicada.

Nosso modelo atual faz de nós uma mistura de Caim e Abel. Somos fratricidas com nossas atitudes de extrema exploração-consumo do que a terra generosamente nos proporciona. Ora somos assassinos, ora somos vítimas. Assassinos-vítimas que somos, somos inteiramente responsáveis.

Que a Campanha da Fraternidade extrapole os templos e os tempos, que ela nos ajude a refletir nossas atitudes geofratricidas, e, à partir de novas atitudes, construir um outro mundo possível.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

SEM DIREITOS NÃO SOMOS HUMANOS


O ato de negar o direito a memória e honra das vitimas de crimes contra os direitos humanos na época da ditadura, é sem duvida um ato desesperado de querer esconder a verdade dos olhos de quem tem um senso critico, e alem disso, tem amor à vida.

Considerando que o estado teme o pagamento de multas altíssimas, questiono, será se os familiares de tais vitimas não merecem isso? Será se o esforço de tais vitimas não foi digno de reconhecimento? Poderia ficar horas só fazendo perguntas, mas vejo que dar o meu parecer é importante. E espero que seja importante também para a maioria dos leitores desse blog.

Quando nos calamos diante de desses acontecimentos, estamos também negando e descartando a história destas pessoas que lutaram para construir o Brasil. Um Brasil livre e democrático como é hoje.

Negando a história, negando o valor dessas pessoas, estamos dizendo indiretamente que para nós, a implantação de uma democracia não tem valor algum, que não nos importamos em ficar submissos à vontade das pessoas que têm “poder”. Deixamos que mais uma vez eles se coloquem acima de nós e com isso nos dominem.

Não estou querendo uma revolta, mas sim que nos mobilizemos para discutir esse assunto delicado, que juntos possamos mostrar a força que esses ativistas nos deram quando foram mortos só porque diziam que temos os mesmos direitos, tanto de falar quanto de poder representar o país.

Sejamos humanos em busca dos direitos dos homens.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sobre 1964 e 2011: História, política Direitos Humanos


Procuro re-visitar a história a partir de meu olhar de filósofo e de teólogo. Aconteceu hoje, o3 de janeiro de 2011 a transmissão de cargos de diversos ministérios do novo governo, da primeira mulher. Conquista simbólico-social à parte, fato inegável, diga-se de passagem, comporta também diversos vícios da política contemporânea, quando partidos não tem mais ideologia que os sustente, buscam por cargos que lhes garanta projeção nacional e recursos para as próximas campanhas. Sob um mesmo teto convive direita, centro, esquerda, centroesquerdadireita...

Na transmissão de cargo, o novo ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General José Elito Carvalho Siqueira defende a não apuração das violações de Direitos Humanos cometidas pelo Estado Brasileiro durante o regime militar. Sob o argumento (falacioso) de que é preciso olhar para frente, que a ditadura é um fato histórico passado e que o Brasil é um país grandioso que deve olhar para frente e não para trás, se posiciona contrariamente à criação de um grupo para apurar se houve ou não violação.

Já a nova ministra da Secretaria Especial para os Direitos Humanos, Maria do Rosário, muito timidamente defende que é hora de prestar contas, se assim o Estado o determinar.

Claro que, como humanista, penso que o Estado deve sim prestar conta à sociedade que o constitui dos atos praticados durante o regime militar. Retomo aqui o argumento de Irineu de Lião, em sua obra Adversus Haeresis, de que somente é redimido o que é assumido. A humanidade somente foi redimida porque Deus se fez homem. Analogamente podemos afirmar que somente seremos bem resolvidos com nossa história se o Estado que nossa sociedade constitui pelo sufrágio universal, assumir seus atos e, de alguma forma reparar à sociedade e aos indivíduos concretos que tiveram seus direitos violados.

Com a sustentação da posição atual, que finge não ter existido violações de Direitos Humanos fundamentais, tanto por parte do Estado quanto por parte das oposições, ferimos os tratados internacionais dos quais somos signatários, pois além de negar o direito fundamental à vida negamos também aos nossos mortos o direito à memória. Mais do que tratados violamos a sacralidade da vida de outrem em nome de uma política de boa vizinhança, irresponsável, antiética e imoral: fingir que nada existiu.

Como diz a canção de Renato Russo: “Nos querem todos iguais. Assim é bem mais fácil nos controlar e mentir, mentir, mentir e matar, matar, matar, o que eu tenho de melhor. É hora de quem ainda não está cego gritar. Nossos direitos estão sendo violados. Nossa humanidade é violada em seu direito à vida e à memória quando nossos desaparecidos políticos continuam desaparecidos e fica tudo por isso mesmo. As instituições que gozam de prestígio e mobilização nacional deveriam propor um projeto de lei de iniciativa popular para a criação de tal comissão.

Que o sangue de nossos mortos e desaparecidos políticos gritem aos céus por justiça e que Deus escute o clamor de seu povo.

Para contextualizar acessem: http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/01/temos-que-pensar-para-frente-diz-novo-ministro-do-gsi.html

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O aumento da "violência"


Por: Jostein Amundsen

Assistindo e lendo jornais, revistas, me deparei com matérias muito tristes. Matérias que mostram casos de violência, contra mulheres, homossexuais e o que mais me revolta, violência contra crianças.

Não sou advogado, não sou policial, não sou juiz, menos ainda um político, mas vejo esses fatos como absurdos, e que as pessoas que os praticam merecem ser punidos com todo o vigor possível.

Mais uma vez venho dizer em meus textos que “nós” estamos jogando tudo o que construímos fora, a democracia, o respeito e amor aos direitos humanos, tudo o que foi conquistado com muito suor, e porque não, com muito sangue derramado.

Hoje, temos que nos ater mais no “outro” estamos muito egoístas, só pensamos no que pode ou não nos beneficiar, só aceitamos pontos de vista iguais aos nossos. Vivemos em um mundo com muita diversidade, temos que aprender a lidar com isso, não é possível viver em um mundo cheio de intolerância e de pré-conceitos.

Voltando ao que disse antes, os casos de violência contra crianças tem me incomodado muito. As pessoas que deveriam cuidar e dar carinho a elas estão desrespeitando o direito que elas têm. O direito a vida, e a vida saudável.

Outra coisa que me deixa triste, e a intolerância com pessoas de orientação sexual diferente. Pessoas humilham, espancam e até matam outras apenas porque têm uma orientação sexual diferente da que ela esta acostumada.

Crianças, Mulheres, Homossexuais, Negros, Católicos, Judeus... Toda e qualquer raça, religião orientação, todos somos iguais, portanto, merecemos igual respeito, direitos.

Vejam isso como apelo, desabafo, vejam como quiserem. Mas o que realmente quero é mostrar que precisamos fazer alguma coisa, isso é muito serio, e triste, “o homem que odeia o homem” não esta na natureza humana, mas sim na natureza que o homem cria, então temos toda a autonomia para mudar essa triste realidade.

Não gosto de frases apelativas, mas vejo necessário aqui.

CHEGA DE INTOLERANCIA, O HOMEM É MAIS QUE ISSO.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Em novas mãos"



Final de eleição e novo representante é eleito. Com a vitória de Dilma Rousseff temos um novo futuro pela frente, ela ira governar o Brasil por quatro anos.

Acompanhando a campanha dos presidenciáveis vi coisas que me deixaram triste. Poucas propostas, ataques e acusações sem muita razão foi comum na trajetória traçada pelos candidatos.

Com o resultado e vitoria da candidata apoiada pelo atual presidente, todos têm grande expectativa, pois acreditam que ele ira apoiá-la. Não vou dizer que não, mas acredito que o Lula não ira fazer do governo de Dilma melhor que o dele.

Lula não encerrou sua carreira política, ainda tem um longo caminho até de aposentar. Acredito que ele quer ser eleito novamente na próxima eleição. Será ele um homem ingênuo o suficiente para sustentar um governo que posteriormente pode atrapalhar sua candidatura?

Se Dilma for bem em seu mandato ela poderá sim atrapalhar o governo de Lula, caso ela tenha o mesmo nível de aceitação que o presidente atual tem.

Em fim. Acredito que ela seja capaz de rumar o Brasil para o progresso. Sinceramente espero que seja, mas tenho meus motivos para não acreditar que ela será “o novo Lula”.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O fim das eleições e a Presidente Dilma

Por Frederico Rosa,

Fim do período eleitoral e o resultado das urnas revelam o histórico feito dos brasileiros: elegeram sua primeira presidente. Penso que, tanto os atores do circo eleitoral, armado especialmente nesse segundo turno, quanto nós, reles mortais sobreviventes da baixaria eleitoral, teremos um pouco de paz. Longe desse “guerra fria” travada nos últimos meses, como se fosse apagada após a apuração das urnas, os olhos dos brasileiros se enchem de esperança na “companheira Dilma”.

Pois bem. Fato inegável é que a política do então presidente Lula de promover políticas públicas e sociais constituiu um ganho para o Brasil e para os brasileiros. Neste sentido espero que, de fato, o governo da presidente eleita siga o mesmo rumo. No entanto, espero mais ainda que seja um governo de protagonismo e não de sombras. Não sabemos se será realmente o governo de uma mulher vencedora das estruturas patriarcalistas ou se, na verdade, em algum momento, será uma vítima diplomada da mesma. É visível o poder que disseminou-se com tal forma de pensar e ver o mundo, então não nos enganemos: pode ser que o corpo mulher não signifique a vitória da mulher...

Quero ser esperançoso neste momento novo, mas não pretendo ser inocente. O momento da euforia da vitória irá passar e nos caberá a tarefa de não deixar morrer os verdadeiros ideais que moveram nosso intento de voto em certo ou certa candidata...

Se Deus existe, que não nos deixe cair na tentação de tornarmos, também nós, as nossas palavras em discursos, quase eleitorais... extasiados e vazios.

Temos nova presidente: Dilma Rousseff




Por Vlado


Foi uma campanha dura, cheia de acusações, disucssões, ataques e tensões entre dois lados importantes de nossa política: o PT e o PSDB, cada qual com seus aliados. Após a saída da candidata que sozinha se tornou uma força incrível, Marina Silva, as coisas tenderam para o que queria o presidente desde o início, ou seja, uma eleição plesbiscitária.

Após os meses de disputa eleitoral o Brasil elegeu de maneira histórica a primeira mulher para a presidência da república: Dilma Rousseff.

Para mim e para nós conspiradores desse espaço a luta por uma causa é perene, pois ela nunca acaba. Portanto, essa eleição representa um fato e a causa continua a mesma, só que desta vez com uma força pela qual vamos respeitar, torcer, acreditar e criticar dentro daquilo que chamamos de democracia.

Dilma é a vitória das mulheres que ainda sofrem com os valores patriarcais, mas é também a esperança de um governo que consiga diminuir as diferenças sociais desse país. Com a maioria conquistada no congresso cresce a expectativa também por reformas que possam vir a serem discutidas e feitas, já que em campanha pouco se falaram delas. Dentre as reformas podemos destacar a tributária e a política, para melhorar esse sistema que tem deficiências enormes e que é um desejo desse humilde conspirador.


Como sonhador, crítico e conspirador desejo que Dilma seja uma grande presidente e que dê passos de justiça junto a essa pátria que amamos do fundo de nossas almas.


A democracia respira calma mais uma vez, mesmo precisando desobstruir algumas vias...
Saudações presidenta Dilma Rousseff!